Comentário Sobre a Prosa

Estou aqui, pensando sobre violência, e seu ciclo.

Estou aqui, ouvindo Gotye cantando com sua belíssima voz sobre um coração partido.

Estou aqui, me esforçando para ignorar os toques do Face que me chamam para uma conversa (se for quem eu acho que é, diga-se de passagem, a pessoa vai ficar bem chateada por ter sido ignorada. Pobrezinha ^,^’).

Agora, o Player toca uma música do Asia, e eu sinto o peito apertando de leve com a letra, que tem tanto a ver comigo.

Mas não parei aqui para falar de minha lista de reprodução, com certeza.

Hoje é uma noite com um monte de coisas na cabeça. Até aí, nenhuma novidade. Estive pensando em escrever algo sobre o julgamento do goleiro Bruno, mas não sei se consigo tirar uma narrativa para isso agora. Certamente, é um tema que nunca escrevi, e o gênero que creio ser o mais adequado, o da crônica, nunca foi o mais fácil para mim. Portanto, passo minha mensagem antes de compôr a prosa, para não perder a intenção:

Não importa quão culpado ele possa ser, ou quão cruel possa lhes parecer, não o julguem. Já basta o desespero que este homem sofreu e irá sofrer, caso seja encarcerado, para me fazer empático com ele. Genuinamente, espero que ele possa ser condenado (ou não) de forma proporcional a seus crimes, e possa viver o suficiente para se ver livre. E, talvez, fazer escolhas que violentem menos a aqueles ao seu redor, e a si mesmo. Quem sabe.

E agora, que começa a tocar a primeira faixa da fantástica trilha sonora de Journey, um jogo que ainda quero ter o prazer de jogar, quero falar de prosa.

Tenho sentido uma falta terrível da prática da palavra escrita, recentemente. Minha fala tem sido confusa, e percebo que não encontro mais com tanta facilidade as palavras que um dia já fluíram com bastante leveza por meus lábios. Não obstante, é mais uma dificuldade que um prazer escrever. Não nego que minha falta de confiança certamente interfere nisto; Não me sinto bom o suficiente, se é que tal qualificação existe, para compartilhar meus escritos convosco, e me sinto culpado por não fazê-lo. Indubitavelmente, um dilema cruel.

Mas creio que nada que a prática não resolva. Escrevo como se falasse para mim mesmo, e enquanto isso, ocasionalmente, dá origem a textos que são no mínimo engraçados (nunca me considerei alguém muito inteligível, veja bem), certamente me ajuda mais a me compreender do que me comunicar.

Afinal de contas, este texto está sendo escrito mais para mim do que para vós, eu acho. Possivelmente, alguns de vocês vão achar ele cativante. Eu pessoalmente acho que tem louco para tudo. Até mesmo para ver beleza em palavras tão toscas e mal polidas.

Mas talvez seja exatamente esse o fascínio que elas causam.

O fascínio do bruto, do cuspido. Do selvagem, impulsivo. Intrinsecamente tosco. Posso ouvir alguém falando “pitoresco” e “étnico”, muito embora duvido que isso venha a aparecer nos comentários.

Finalmente, creio que, independente do estilo, as palavras carregam consigo muito mais beleza do que sua tipografia indica.

E vocês, o que acham? Serás que tem tempo e vontade para compartilhar um pouco de suas palavras com este humilde e confuso tecelão?

Espero ansiosamente por vossas contribuições.

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