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Conto Noturno #2

Porque quando eu me animo, é melhor que eu faça logo tudo do que ficar atrasando, nhé?

Este post foi patrocinado por  John Cleese e sua fala sobre a criatividade, Pogo e seu fofíssimo remix de Up, da Pixar, e Shaun Barrowes e Lindsey Stirling, em um fantástico dueto sobre a colheita e responsabilidades!

Espero que gostem de lê-lo tanto quanto gostei de escrevê-lo.

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2ª Parte

A luz da manhã invadiu o quarto lentamente pela janela, dando uma aparência dourada à antiga madeira que compunha suas paredes e chão. O som das folhas se confundia com o zumbido das abelhas, e os pássaros cantavam em honra ao último dia de tempestade.

O lobo se debruçou sobre a janela com uma pequena careta, e olhou para sua barriga enfaixada. “Uma semana de repouso”, disse o senhor que o acolheu, e ainda assim sua ansiedade não lhe permitia permanecer deitado. Ele colocou a mão sobre o ferimento com suavidade, e fechou os olhos, apreciando o vento em sua face. Seus pelos castanhos ondulavam com a brisa, enquanto seu corpo adolescente se aquecia sob o Sol matutino. Ele se permitiu divagar por um instante, sua consciência beirando o limite de seu corpo, e então…

“Eu achei que tivesse lhe dito para ficar na cama, garoto” a voz grave do mastiff reverberou pelo quarto, enquanto ele fechava silenciosamente a porta atrás dele. “Você pode até se recuperar rápido, mas para isso, você precisa descansar!” Sua bengala arranhava o chão de madeira, enquanto o pesado canino caminhava até a cama, sentando em sua borda. “Vou entender que se está de pé, já está melhor, então.”

“E por isso tenho muito a lhe agradescer, senhor. ” O rapaz se virou com celeridade, seu rabo fazendo um arco em volta de seu corpo enquanto surgia um grande sorriso no rosto. “Tens minha gratidão eterna!” Ele tentou fazer uma pequena mesura, e parou na metade, fechando os olhos enquanto a dor se espalhava por seu abdome.

“Hm” Com a bengala, o grande cão tocou o ombro do lupino, chamando sua atenção. “Sim sim, mas não precisa se matar para me agradecer! Sente-se, sim?”

A cama estremeceu com o peso de ambos, e um pássaro gritou do lado de fora da janela, fazendo o lobo olhar para fora por um instante.

“Aqui, sim?” O cão esperou por um instante até ter novamente toda a atenção do jovem. “Bem, muito me alivia ver que você está melhor. Não conheço muitos que se levantariam tão cedo depois de passar por um ferimento tão grande.” Ele considerou, os olhar voltado para os olhos do outro. “E isso levanta algumas questões: Quem feriria alguém tão jovem?” Ele observava a reação do rapaz, tentando encontrar em seu olhar curioso alguma alteração de expressão. “E, quem seria esse rapaz que de alguma forma mereceu ferimento tão severo.” Ele abaixou a cabeça, balançando-a de leve. “Não é minha intenção pressioná-lo, mas-”

“Muitos feririam um rapaz, nessa época e circunstâncias”

“Hm?” O senhor voltou a olhar para seu interlocutor, e a surpresa cobriu sua face ao perceber que o lobo lhe dava um sorriso sincero.

“E, quanto a quem sou, creio que não haja problema nenhum em lhe contar. Estava viajando em direção a  Fandalgar, a capital imperial, quando fui confundido com um ladrão na borda da floresta.” Ele olhou para cima, a face um pouco contraída pelo esforço da lembrança. “Acho que era um pequeno destacamento, cerca de 30 Andui, e eles estavam indo na direção norte quando me viram. Um grande tigre branco se aproximou, e começou a me questionar sobre minha presença ali. Tentei explicá-lo de minha situação, mas, enquanto eu falava, uma lança foi jogada por alguém no destacamento, e perfurou minha barriga. Quando o tigre se virou para perguntar quem foi, aproveitei o momento, quebrei o cabo da lança, e corri para a floresta. A tempestade impediu que eles me perseguissem, e não parei até atingir algum lugar onde pudesse me abrigar. Aí, cheguei aqui!”

“Mas! Não lhe passou pela cabeça que é loucura fugir ferido de soldados?!” O cão retorquiu.

O lobo olhou de volta para o cão, com a cabeça levemente inclinada para o lado.”Hm? Nha, cheguei a conclusão de que eu estaria menos seguro lá do que aqui.” Ele sorriu alegre, fechando os olhos de leve.

“Hm!” O mastiff estava embasbacado. O rapaz em sua frente não somente descrevia uma loucura, como também o fazia como quem contava uma história.  ”Mas você… Não. Eu entendo sua situação.”

“Entende?”

“Posso lhe oferecer casa e alimentação até que você esteja recuperado, mas é só.” O cão falou com seriedade, novamente olhando para os olhos do lupino.

“É sério? Eu não pediria por mais que isso!” O lobo deu um pequeno pulo na cama, fazendo-a ranger de novo, enquanto seu rabo se movia de um lado para o outro.

“E enquanto estiver aqui, quero que compreenda que terei que recolher seus bens”

“Ah.” A cauda do jovem parou perto do fim de um balanço, quase tocando a cama. Ele olhou para o canto do quarto, onde um longo embrulho estava encostado na parede. “Hm. É, não vejo problema algum.” Ele voltou para olhar para o canino, e sorriu de leve.

“Hm.” O senhor ficou parado por um instante, mantendo o olhar do rapaz, e então se levantou de vez, parando na metade do caminho para apoiar sua bengala. “Pois bem. Existe uma túnica ali.” Ele apontou para um pequeno embrulho de papel marrom, sobre a ponta da cama, ao lado de onde ele estava sentado. “Vista-se, e desça. Tenho a quem lhe apresentar.” O senhor se dirigiu até a porta, parando por um instante antes de abri-la, e se virando. “Seja rápido, por favor” Ele falou para o lupino, antes de abrir a porta e sair do cômodo, a bengala batendo na madeira do corredor até sumir.

O lobo permaneceu parado por um momento, observando a porta aberta com um meio sorriso, antes de abaixar de leve a cabeça. “É, e lá vamos nós de novo…”

Retorno e Relembrança

Aos poucos que acompanham meu blog, peço-lhes um sincero perdão. Não porque acho que deixei vocês na mão, longe disso. Só, acredito que cabia a mim pelo menos compartilhar um pouco daquilo pelo que passava com vocês.

Esses últimos meses tem sido ao mesmo tempo complicados e efusivos. Agridoce, eu diria. Tem sido um momento de profundo crescimento pessoal acompanhado dos mesmos velhos hábitos, o que, para mim, é certamente decepcionante. Mas, não significa que tenho deixado de avançar.

Tenho feito também parte de um grupo de estudos, em Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos, e, digo sem grandes medos, tem sido difícil. A falta de participação chega a ser insuportável. Mas, certamente, iremos concluir nossos objetivos sem maiores problemas. Eu não permitiria ser diferente.

As histórias envolvendo Galea, assim como praticamente qualquer produção artística minha, tem estado ao mesmo tempo ativas e inexistentes. Não é como se as coisas não existíssem, eu que não sento a minha grande bunda na cadeira para escrever/desenhar. Estou prestes a entrar na categoria Procrastinador 3, quase de cara com Preguiça Master.  Mas, novamente, nada que seja uma questão particular. Isso é assim com praticamente tudo meu, e eu bem sei que só depende de mim fazer diferente.

Kudos para mim!

P.S.: Isso aí em cima tudo foi minhas relembranças. O Retorno do título na verdade se refere ao meu Bahia, que depois de 11 anos, voltou a ser campeão baiano. Não assisti o jogo, e bem sei que muito em breve metade do mundo vai estar debatendo de ele mereceu ou não o título.

Só acho que, ambos mereceram, e no final, aquele que podia ganhou. Portanto, parabéns ao Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória por suas trajetórias e campeonatos, e parabéns Esquadrão pelo título atrasado!

Até mais!

Desabafo

O coração anseia por verdade. Qualquer uma, que possa saciar sua vontade de completude. Qualquer uma, desde que se encaixe no vazio que criamos para nós…

E incapazes de caminhar no escuro, dançamos entre as breves luzes de nossas vidas, cegos para ver que o verdadeiro brilho está além da noite densa, e que a lua só pode brilhar quando não há Sol no céu.

Enquanto vagamos pelos caminhos tortuosos da existência, somente nossa angústia nos impulsiona para frente, nosso medo de ficar onde estamos, nossa falta de vontade de lidar com o que não conhecemos…

Caminhamos como ratos assustados pelas longas trilhas da madrugada, e, em pânico, não observamos o quanto o caminho é belo, o quão forte nos tornamos, quantas dúvidas criamos e esquecemos de questionar.

Sob o manto das estrelas nos erguemos, e enquanto erguemos nossos lampiões, afastamos com a ameaça do fogo a todos os nossos companheiros de jornada, ofuscando suas belezas em função de nossa imaturidade…

Mas a alcateia não sai por somente uma noite. E enquanto tivermos oportunidade de uivar diante da Mãe, podemos abrir nossos olhos para a verdade, e caçarmos como irmãos, dependendo somente de nós mesmos para estarmos com os outros.

Uma Noite Infinita

Eu poderia até tentar colocar algo bonitinho aqui, mas tudo que eu gostaria de dizer está na música. Então…

Mais que isso

Pedras côncavas
Detém o fogo brilhante
Enquanto os grilos cricrilam
Para o luar
E enquanto você se inclina
Para roubar um beijo
Eu nunca precisarei de mais que isso

Todos nós partilhamos a dor
De nossas histórias
Porém, a dor se vai
Se você puder ver
Esta noite sob as estrelas
Bem, eu chamo isto de paz
Se você disser eu nunca precisarei mais que isso

E as árvores crescem tão largas
Que você mal pode ver através
E a floresta presenteia
Com todas as mais simples das verdades
E você acha que será feliz
Se tiver mais um desejo garantido
Mas a verdade é que
Você nunca precisará de mais,
Você nunca precisará de mais,
Você nunca precisará de mais que isso

Quer tanto nesta vida
Tem tanto para ser
Nós velejamos pela nossa juventude
Tão impacientemente
Até nós vermos
Que os anos se seguem
E os soldados e heróis retornam À casa
E carregam uma canção

Não viva em tempos esquecidos
Que isto sempre te lembre
Do oceano sob os céus
Como vidro azul
Vamos fazer disso nossa história
Vamos viver na glória
Tempo, ele evanesce precioso como uma canção
Porque algum dia nós desaparecemos

As pedras côncavas
Detém o fogo brilhante
Enquanto nos olhamos para o claridade
Da luz da manhã
Algum dia nossos ossos aqui descansarão
E assim nós cantamos

Assim como os anos se seguem
Os soldados e heróis retornam à casa
E eles carregam uma canção
Vamos fazer disto nossa história
Vamos viver na glória
Tempo, ele evanesce precioso como uma canção
Porque algum dia desapareceremos

A Benção…

Pés descalços
Para não ver passar o tempo.

Pés descalços
Para dançar sob o uivo do vento.

Consegue ouvir?
O canto das sereias
A dança dos faunos
Os gritos das águias
E os tambores de Obaluaê.

No caminho de sombras eu ando
E diante da morte encontro amor

O caminho da morte é o caminho do nascimento

Todos nós já estivemos lá.

Consegue ouvir?

Guarás não Uivam para a Lua…

… Eles cantam com ela

Para aquele por quem meu coração anseia, minha pele estremece, e minha vontade me guia. Te amo.

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Sob a lua nos deitamos
Eu e você
E ouvindo o canto dos grilos
Encontramos refúgio, eu em você
Você e eu

Sob a noite caçamos
Sob a lua nos deitamos
Consegue ouvir?
O clamor selvagem em nossos corações
Não existe tambor mais forte que nosso amor

Sob a lua selvagem nos erguemos
Dois como um
Juntos corremos
Uivo e grunhido
Rugir e ganido
Caçamos como quem brinca sob as estrelas

Sob a lua nos deitamos
E sob ela dançamos
A dança da vida
E enquanto nos tornamos um, eu e você
O céu se tinge de branco, como tapete cintilante

Eu e você

Consegue ouvir?

Reflexo 2

Enquanto se vestia, ele pensava –  coisa que não fazia com frequência – em quanto ele precisava de um parceiro. Sua pele ansiava por companhia, seus sentidos por um cheiro familiar, companheiro… Escovando os dentes, ele não pode deter um sorriso ao imaginar-se beijado, sua boca invadida por outra língua, o gosto único dos lábios de alguém… Ele descia a escada sem ver os degraus, sua mente divagando em seu desejo de ser abraçado, despido, tomado, possuído pela sensações… E ainda assim, ao abrir o portão, ele se permitiu intervir em sua vontade, com uma leve careta: “Ainda não. Ainda não é hora…”

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